Sinal verde constante
Avante
Vermelho com amarelo só aumenta a fome
Atenção
Abro os olhos numa manhã sem precedentes
Na hora exata da ação inventada
Tudo é reação em relação
Ao que não volta nem com o Vento
Um senhor barbudo, meio sujo, meio bicho, meio gente
Gentileza
Dizem que Deus protege os loucos, as crianças e os bêbados
E eu que não descobri ainda o que é ser o contrário disso
Que não me privo de mim
Refém de um absurdo cego e mudo
Digo amém – com e sem acento
No fundo dá no mesmo
Porque no fundo da sala que eu sentei
Eu pude observar melhor as pessoas
Ver seus egos dançando sem se tocarem
Assim como o meu
Mas numa distância mal calculada, misturada
Nunca sei onde eu termino e onde começa o outro
É preciso ter noção de espaço
E todos os pensamentos mudam
Quando o que sinto é o vazio de dentro
Você estava ali, dentro
E quem vai dizer que é impossível dois corpos ocuparem o mesmo lugar
Ao mesmo tempo
Você estava ali
Aqui
Dentro
E então eu me levanto do fundo da sala
Tremendo de medo
Ouso abrir a boca
Balbuciar qualquer coisa rouca depois de muito tempo calada
Quem vocês pensam que são?
Silêncio.
Minha voz fraca ficou forte, coragem
Repito: Quem vocês pensam que são?
A coisa mais bonita é a coisa mais bonita
Coisa, pra sempre coisa
E não me obriguem a achar uma definição
Tem um buraco em mim
Entra!
Quisera eu poder te fazer uma fenda e descansar por lá
Entrar
E sentir o avesso da tua pele
Te fazendo doer por dentro a dor dos que precisam de afeto
Você nunca saberá o que é ter uma boceta, um útero
E eu nunca saberei o que é ter um pau pra sentir tudo isso,
A boca do mundo
Definitivamente, não somos iguais
É básico, é claro
Tudo afasta, tudo aproxima
Tudo é
Tu-do-é
Quando enfio a minha cabeça no teu peito e aperto forte o nosso abraço
É porque eu quero ser como você,
Quero entrar em você assim como você consegue entrar em mim
E consigo, consigo mesmo
E então o que faz as minhas pernas se abrirem é o teu sorriso
A tua boca vermelha, a tua língua
Que mesmo anestesiada, não me nega o último beijo
E eu digo vem
Vem!
É mais que pernas, mais que pelos, mais que músculos
Mais que pau e boceta
É o contrário da pressa
O contrário do medo
O contrário da vergonha
O contrário do vazio
É cheio
É a coisa
Essa coisa que quando respira é o universo inteiro
Porque os egos descansam,
Cessam a dança
A magia do silêncio se refaz
A impossibilidade
O ser por inteiro
A pausa
A paz
E a dor que se sente é a dor da poesia
Da organização, do significado encontrado
A dor da arte
A dor da beleza
E o espelho no teto anuncia
Está pronta a obra
Encontrem os encaixes
Encaixem-se!
E a dor nunca mais será ataque como escudo
A dor será amor
A rima que nunca se perderá no tempo
A reação de quem traz o peito aberto
Para ouvir a música mais bela
Todas elas
A música do mundo
Agora sim:
Dança comigo?
Danço contigo
Estamos juntos.
Sim, a coisa é confusa.
Sim, a coisa é confusa.
2 parambólicos comentaram:
essa confusão da sentido a tudo isso
Amei o texto. Você transmite sentimentos como ninguém! Parabéns! :)
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