Não é porque eu sei que a eternidade não é eterna que eu vou me entregar,
Não é porque só o nada faz sentido que eu vou aceitar.
Quem nada deseja porque tudo já tem é função de santo, e santo eu não sou.
Não sou porque não posso,
E além de não poder,
Eu me recuso a ser!
O que sou tem sangue que corre nas veias,
Pelos que se arrepiam,
Pulsação!
O que sou também tem humildade para reconhecer que tem espaço para todos,
Ninguém é melhor do que ninguém,
Não julga.
Seria uma grande hipocrisia ouvir qualquer ser humano dizer que sabe alguma coisa além da vida,
Porque se sabe, já deixou de ser humano
E em santo que não conhece nem a si mesmo eu não confio.
Gente de carne e osso que dita regras o tempo topo,
Que critica,
É gente que escolheu ficar na defensiva,
Fora do jogo.
O problema do homem foi acreditar na sua própria mentira,
Idealizou um Deus vazio e o que restou foi melancolia
A impossibilidade de ser como autopunição.
Mas meu ser é de resistência
Conhece o nada ao ponto de dizer que o nada é bom
A dor também é boa
E não querer doer não significa que se pode escolher
Mas é melhor que não se escolha
Meu ser é de aventura
Não quer saber o que vem depois
Quer fazer para acontecer
E para crer, basta sentir.
Eu me recuso a fazer parte desse jogo
Onde todo mundo já sabe o que é bom para mim antes mesmo de eu existir
Eu me recuso a recusar a criação do que quer que seja
Porque eu ainda não descobri sensação melhor do que o gozo.
Meu tempo não é a espera eterna da passagem das horas
O tempo é um espaço vazio
O tempo não existe
O tempo é uma ilusão
Embora as ilusões existam
E o tempo também.
2 parambólicos comentaram:
...
Tudo foi muito bonito, principalmente esta passagem:
''Eu me recuso a recusar a criação do que quer que seja
Porque eu ainda não descobri sensação melhor do que o gozo.''
nossa, que papo de gorda virgem.
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