terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre a caixa e outros bichos


Eu queria me anular
ser eu mesma ao extremo 
extremo oposto dela que não se preocupa em incomodar
incomoda por querer
porque seu umbigo é o mais bonito
e não reconhece insegurança
desejo é ação realizada
voz calculada
foco e direção.


Eu sou estampa que desmancha
não sei bancar minha aflição
e ali, calada, dentro da caixa
eu afirmei minha posição
de quem olha e só se permite partir quando tem vontade.


Nesse ponto somos iguais, eu e ela
Estamos e somos
com toda potência e volúpia
pulsação
de quem é e ponto.

De quem se perde no meio do caminho
ou de quem toma consciência antes que se perca


e ainda assim, se se tornar errante
foi por escolha 
ou por atestar que não se tem o que fazer
ou que não está preparado ainda para ser diferente.












*Performance realizada no dia 17 de novembro de 2011;
*De 12:30h até 14:30h;
*Local: UNIRIO - Centro de Letras e Artes;
*Por: Michelly Barros;
*Orientação: Tania Alice,
*Referência: Grupo Meyd Inn Rio, Relações Perigosas.



(E tudo começou com a impossível tarefa de separar a razão da emoção.)

domingo, 6 de novembro de 2011

A verdade

Não posso amor, dizer que te amo
Se o digo, não acredite
Do amor que sinto
Só será possível dizê-lo depois do fim

Morre alguma coisa toda vez que a fala sai
O próprio amor é que se afasta
Fica ausente atrás das palavras

Mas se eu te chamo amor, acredite
Porque o chamado é no presente
E seja lá quando for
Meu amor pertence ao sempre
Sem começo
Sem fim