Ei, você, tudo bem? A última vez que te vi você parecia um bicho, e de fato era. Você bufava. Lembro-me das suas narinas abertas, dos seus dentes cerrados, sua boca só se abria para o berro. Como você tem passado?
Parece que entrei num estado de sono contínuo, onde acordo diversas vezes dentro do mesmo sonho. Há mais espaço dentro de mim, mas ainda não sei o tamanho, não sei o quanto está ocupado ou como descontrair para caber aqui com mais conforto. Eu explodi, mas há muita fumaça em volta, não consigo ver. Sentir não é tão complicado assim, mas com a visão embaralhada não consigo me mover.
Você está arrependida?
Não posso me arrepender. Sinto muitas dores, mas o cinza me anestesia. Estou me acostumando aos poucos a ser, pois não quero me perder. Eu apareci num dia de sol no ninho das serpentes e não tive medo, eu era uma delas. Depois a noite veio e eu adormeci no peito de um menino com nome de anjo. Marcamos um encontro na Lua, mas acordei dentro do meu umbigo, e uma vida crescia.
Lá onde a luz não entra, onde a carne se satisfaz com a carne, Sophia me observava com o sorriso nos olhos. E se os olhos de Sophia sorriam, os meus derretiam gratidão. Eu não me arrependo.

1 parambólicos comentaram:
Há tempos eu não passava aqui... nunca mais me torturo desse jeito!!
Preciso sempre das suas palavras, minha preta.
Como é bom te sentir, te conhecer, te viver!
Eu já disse que te amo?
Eu já disse que sou sua fã?
Me arrepiei com esse texto e aguardo a parte 2!!!
ps. espero que saudade não mate!
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